(FOLHAPRESS) – A vacinação de grávidas com a vacina Abrysvo, da Pfizer, em idade gestacional de pelo menos 32 semanas, oferece proteção de 81,3% em bebês contra a hospitalização por vírus sincicial respiratório (VSR), o principal causador da bronquiolite. Este cálculo é válido quando aplicada até 14 dias antes do parto.
Se essa dose for aplicada até 28 dias antes do parto, a eficácia sobe para 84,9%.
Os dados são do maior estudo de acompanhamento em vida real do imunizante feito até hoje por pesquisadores da Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido (UKHSA, na sigla em inglês), e foram apresentados no último dia 18 no encontro da Sociedade Europeia para Clínica Microbiológica e Doenças Infecciosas (ESCMID, na sigla em inglês).
Em bebês prematuros, cujo risco de hospitalização por infecção causada por VSR é até 16 vezes maior, a vacinação das mães garantiu uma proteção de quase 70%, indicando ser esta a opção mais segura para prevenir internação e até mesmo morte por bronquiolite.
A vacina Abrysvo foi aprovada para uso em gestantes a partir de 32 semanas no Reino Unido em 2023 e as primeiras doses chegaram à população via sistema de saúde em setembro de 2024. Ela é composta por uma proteína F do VSR pré-fusionada (isto é, já no formato correspondente para ser reconhecida por anticorpos) e é acondicionada em pó liofilizado para ser utilizada uma única vez.
O estudo, liderado pelo epidemiologista Matt Wilson, da UKHSA, cruzou os dados de gestantes no NHS (equivalente ao SUS deles), incluindo de vacinação materna, com as internações hospitalares por infecção do trato respiratório inferior causada por VSR. Ao todo, a análise incluiu 289.399 bebês de setembro de 2024 a março de 2025, com 4.594 casos de hospitalização.
De setembro a dezembro (quando a vacinação deveria ser concluída para todas as gestantes visando garantir a proteção dos seus bebês na primeira estação viral, em março), cerca de 55% das mulheres já haviam sido vacinadas. Quase 9 em 10 hospitalizações (87,2%) de bebês ocorreram no grupo das mães não vacinadas (45%).
Fazendo os recortes por idade gestacional e tempo da aplicação da dose até o parto, a eficácia do imunizante foi de 84,9%, quando dado pelo menos 28 dias antes do parto, e caía para 50% se a vacina tivesse sido aplicada de dez a 13 dias antes do parto.
Já os bebês com prematuridade moderada a tardia (entre 32 e 37 semanas de gestação) tiveram uma proteção de 70,6%, enquanto a prevenção de hospitalização pela vacina em bebês com 28 a 31 semanas de gestação (prematuros precoces) foi de 64,4%.
Segundo Wilson, a imunização de gestantes no período na Inglaterra teve uma eficácia elevada na prevenção de hospitalizações por VSR em bebês. “Caso a vacinação seja ofertada no início das janelas recomendadas [a partir da 32ª semana de gestação], ela oferece excelente proteção, embora ainda possa reduzir pela metade as taxas de internação de bebês quando administrada apenas 10 a 13 dias antes do nascimento, se não for possível antes”, disse.
Ele reforça que a decisão, no Reino Unido, de vacinação algumas semanas a partir da 28ª semana de gestação está alinhado com o documento de pré-qualificação da Abrysvo pela OMS (Organização Mundial da Saúde), embora a recomendação dos epidemiologistas da agência é de vacinação durante todo o terceiro trimestre, se naõ for possível antes.
No final do último ano, o SUS passou a ofertar o imunizante para todas as mulheres grávidas a partir da 28ª semana, que é quando os dados de eficácia são mais robustos. Na rede privada, o imunizante chega a custar R$ 1.760 e está disponível desde 2024.
A vacina aplicada nas mães oferece proteção aos bebês recém-nascidos até o seu primeiro contato com os vírus respiratórios. A recomendação é que a gestante receba uma dose única a cada gestação.

