O secretário municipal de Segurança Pública de Barra do Corda, no Maranhão, sargento James Mota da Silva, foi afastado do cargo após a divulgação de áudios nos quais incentiva policiais militares a prender eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT) durante o período eleitoral.
As gravações foram compartilhadas em um grupo de policiais militares e vieram a público na quinta-feira (22), três dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).
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Em uma das mensagens, o secretário associa eleitores petistas à criminalidade e pede uma atuação mais agressiva dos policiais.
“Quem é PT é inimigo da polícia, é inimigo da sociedade. Bora pra cima, bora prender”, afirma.
Em outro trecho, Mota sugere que a prisão de um eleitor poderia intimidar outras pessoas.
“Vamos botar esses petistas no lugar deles. Vamos botar para prender. O primeiro que nós prender na cidade ou no povoado, sai a história, eles vão ficar com medo”, diz.
O secretário também afirma que seria possível realizar prisões dentro da legalidade.
“Tem a forma de prender legalmente. Vamos prender quem tiver que prender esses vagabundos”, acrescenta.
Secretário cita atuação de policiais no primeiro turno
Em outra gravação, James Mota menciona episódios que teriam ocorrido durante o primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro.
O sargento afirma que encontrou apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) distribuindo material de campanha nas proximidades de escolas utilizadas como locais de votação.
“No primeiro turno tinha uns petistas já dando santinho do Lula lá na frente do Dom Marcelino, na frente de outras escolas, e eu fui para cima de alguns”, declara.
Ele também incentiva os integrantes do grupo a agir, em vez de apenas reclamar da situação política.
“Bora ficar só dentro de casa também não. Só reclamando, só colocando culpa em Alexandre de Moraes, em Lula. Bora para cima, meu filho”, afirma.
As declarações provocaram questionamentos sobre uma possível tentativa de utilização das forças de segurança para intimidar eleitores por suas preferências partidárias.
Governador determina afastamento e investigação
Após a repercussão das gravações, o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), anunciou o afastamento de James Mota e determinou a apuração de sua conduta.
O sargento pertence à Polícia Militar do Maranhão e estava cedido à Prefeitura de Barra do Corda para exercer o cargo de secretário municipal de Segurança.
“Determinei o afastamento do sargento James Mota da Silva (cedido à Prefeitura de Barra do Corda, onde atua como secretário municipal de Segurança) e a investigação sobre suas graves declarações”, escreveu Brandão nas redes sociais.
O governador também condenou qualquer tentativa de interferência no processo eleitoral.
“Qualquer tentativa de intimidar eleitores ou interferir na liberdade do voto é inaceitável e atenta contra a democracia e as liberdades individuais”, afirmou.
Brandão ressaltou que a posição do governo estadual não depende da orientação política dos envolvidos.
“Essa posição independe de ideologia política e vale para todos, de QUALQUER LADO”, acrescentou.
O governador também defendeu que a fiscalização nos locais de votação seja realizada de maneira responsável pelas forças de segurança e pela Justiça Eleitoral.
Prefeitura afasta secretário até o fim das eleições
A Prefeitura de Barra do Corda confirmou que James Mota ficará afastado da Secretaria Municipal de Segurança até o encerramento do processo eleitoral.
Em nota, a administração municipal afirmou que o prefeito Rigo Teles (MDB) reprova manifestações contrárias à democracia e ao livre exercício do voto.
A prefeitura declarou ainda que está colaborando com a Justiça Eleitoral para assegurar a normalidade da votação.
“A Prefeitura reafirma que todos os eleitores, independentemente do candidato de sua preferência, podem sair de casa com total tranquilidade para votar. O voto é livre, secreto e deve ser respeitado”, informou.
Ministério Público Eleitoral recebe denúncia
O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), informou que a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral contra James Mota.
Na representação, a federação argumenta que as declarações podem representar uma tentativa de constranger eleitores por suas posições políticas.
“A afirmação é relevante não apenas pelo caráter ofensivo dirigido a pessoas identificadas por preferência político-partidária, mas porque integra discurso mais amplo de estigmatização e ameaça”, diz um trecho do documento.
A federação também solicita que sejam investigadas eventuais abordagens, detenções ou operações realizadas por policiais contra eleitores e militantes durante o período eleitoral.
Entre os pedidos apresentados estão a identificação de superiores e subordinados envolvidos nas atividades de segurança, além do fornecimento de escalas, ordens de serviço e registros de abordagens.
Segundo Felipe Camarão, a Polícia Federal deverá instaurar um inquérito para investigar o caso, enquanto o sargento também poderá responder a um procedimento administrativo na Polícia Militar.
Eleitores podem ser presos no dia da eleição?
O Código Eleitoral estabelece restrições à prisão de eleitores nos cinco dias anteriores à votação e até 48 horas depois do encerramento do pleito.
No segundo turno de 2026, essas restrições começaram na terça-feira (20) e seguem até terça-feira (27).
Durante esse período, a prisão de eleitores somente é permitida em situações específicas previstas na legislação:
Flagrante delito;
Cumprimento de sentença criminal condenatória por crime inafiançável;
Descumprimento de salvo-conduto expedido pela Justiça Eleitoral.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclarece que, quando ocorre uma prisão durante esse período, o eleitor deve ser apresentado imediatamente à autoridade judicial competente.
Se a detenção for considerada ilegal, o juiz deverá determinar sua soltura.
A legislação eleitoral também protege o direito de cada cidadão escolher livremente seus candidatos, sem sofrer ameaças ou constrangimentos em razão de sua preferência política.


