A morte de Priscila Lacerda Custódio, de 24 anos, em Rifaina, no interior de São Paulo, continua sendo investigada pela Polícia Civil como feminicídio. A jovem foi assassinada a tiros na terça-feira (27), após viajar cerca de 100 quilômetros para devolver uma caminhonete a um pecuarista com quem havia mantido um relacionamento.
O principal suspeito é João Roberto Bolelli, de 62 anos, que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e permanecia foragido até a manhã desta segunda-feira (2).
Segundo o G1, a empresária saiu de Perdizes, em Minas Gerais, acompanhada do irmão e de uma amiga. Ela temia encontrar o homem sozinha devido a ameaças que, segundo testemunhas, havia recebido anteriormente.
O que aconteceu em Rifaina?
O crime ocorreu no quilômetro 463 da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), na entrada de uma propriedade rural.
De acordo com os depoimentos colhidos pela Polícia Civil, Priscila pretendia devolver uma caminhonete pertencente ao pecuarista e encerrar definitivamente o relacionamento.
Durante o encontro, houve uma discussão envolvendo a devolução de um celular. Segundo testemunhas, Bolelli sacou uma arma e atirou contra a jovem.
O irmão da vítima, Geovane Santana, presenciou o crime.
“Foi muito rápido, em uma fração de segundos”, relatou à EPTV.
Priscila foi socorrida e levada a uma unidade de saúde de Rifaina, mas não resistiu aos ferimentos.
Após o disparo, o suspeito teria apontado a arma para o irmão da vítima antes de fugir na caminhonete que acabara de receber.
Quem era Priscila Lacerda Custódio?
Priscila tinha 24 anos, era natural de Perdizes, em Minas Gerais, e trabalhava com marketing digital.
Segundo familiares, começou a trabalhar aos 16 anos, inicialmente como bartender, e posteriormente abriu a própria empresa.
“Nunca precisou de nada de ninguém”, afirmou o irmão, Geovane Santana, ao G1.
A jovem também mantinha um relacionamento com o estudante Samuel Ramos, de 26 anos. Os dois moravam juntos havia aproximadamente um mês e planejavam se mudar para Uberlândia, também em Minas Gerais.
Quem é João Roberto Bolelli?
João Roberto Bolelli é um pecuarista de Rifaina apontado pela Polícia Civil como principal suspeito do assassinato.
Segundo informações obtidas pelo G1, ele já havia sido investigado e condenado em casos relacionados à violência contra mulheres.
Em 2018, foi preso preventivamente por descumprir uma medida protetiva concedida a uma ex-companheira. Em 2021, recebeu uma condenação de três meses e 15 dias de detenção, em regime aberto, pelo mesmo tipo de crime.
A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em 2022.
Bolelli também possui uma condenação anterior por vias de fato, relacionada a agressões ocorridas em 2017.
Jovem teria recebido ameaças antes de ser morta
Testemunhas relataram à polícia que Priscila havia tentado encerrar o envolvimento com o pecuarista, mas ele não aceitava a decisão.
Segundo o depoimento de Samuel Ramos, Bolelli teria ameaçado a jovem, afirmando que, se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém.
Uma amiga da vítima também contou aos investigadores que Priscila havia sido agredida fisicamente quatro dias antes do assassinato, apresentando marcas pelo corpo.
A testemunha relatou ainda que o suspeito teria ameaçado dar um tiro na cabeça da empresária e contratar pessoas para monitorá-la em Minas Gerais.
Suspeito de feminicídio em Rifaina continua foragido?
Até a atualização da reportagem, João Roberto Bolelli ainda não havia sido localizado.
A Justiça de Pedregulho decretou sua prisão preventiva na quarta-feira (28), após pedido da Polícia Civil.
Na decisão, o juiz Luiz Gustavo Giuntini de Rezende classificou a fuga como um “ato de covardia” e apontou a necessidade de proteger as testemunhas durante a investigação.
O inquérito é conduzido pelo delegado Fábio Branquinho. A polícia já ouviu testemunhas, realizou perícia no local do crime e apreendeu o celular de Priscila para análise.
A defesa do pecuarista informou que estava analisando o caso e que ainda não havia conseguido contato com o investigado.

