A Polícia Civil de São Paulo investiga se as agressões sofridas por Kratos Douglas, de 11 anos, eram gravadas dentro da casa onde o menino foi encontrado morto, no Itaim Paulista, na Zona Leste da capital.
A nova linha de investigação surgiu após agentes apreenderem computadores, HDs, cartões de memória e diversos equipamentos eletrônicos no imóvel. A quantidade de câmeras espalhadas pelos cômodos também chamou a atenção dos investigadores.
Segundo o delegado Thiago Bassi, todo o material será analisado pela perícia para identificar se existiam registros das torturas sofridas pela criança e se o conteúdo chegou a ser armazenado ou compartilhado.
“A casa era monitorada, havia vários computadores. Nós apreendemos computadores, HDs e vários tipos de memória. Tudo isso será encaminhado para perícia”, afirmou.
A Justiça já autorizou a quebra de dados telemáticos dos equipamentos encontrados na residência. A polícia aguarda agora os laudos técnicos para avançar na apuração.
O pai do menino, Chris Douglas, de 52 anos, a avó paterna, Aparecida Gonçalves, de 81, e a madrasta, Camilla Barbosa Dantas Felix, de 42, estão presos e foram indiciados por tortura com resultado morte.
De acordo com os investigadores, Kratos sofria agressões e era mantido acorrentado havia pelo menos um ano.
Durante depoimento, o pai admitiu que prendia o filho com correntes para impedir fugas, mas negou agressões físicas. A polícia, no entanto, encontrou lesões compatíveis com tortura e sinais severos de desnutrição.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o estado físico do garoto impressionou até os investigadores envolvidos no caso.
A polícia afirma ainda que o menino praticamente não era visto fora da residência desde que a família se mudou para o imóvel, há cerca de um ano.
Vizinhos ouvidos pela investigação relataram que sequer sabiam da existência da criança na casa.
Os investigadores descobriram também que Kratos não frequentava escola em São Paulo. O último registro escolar localizado pela polícia é de uma unidade de ensino em Bauru, no interior paulista, no ano de 2024.
A avó e a madrasta disseram em depoimento que sabiam que o garoto era acorrentado, mas alegaram que isso acontecia porque ele costumava fugir de casa. Ambas negaram participação nas agressões.
O caso começou a ser investigado na segunda-feira (11), quando familiares acionaram o Samu e o Corpo de Bombeiros afirmando que o menino estava passando mal.
Quando os socorristas chegaram ao imóvel, Kratos já estava morto. O corpo apresentava hematomas nos braços, pernas e mãos, além de outros sinais de maus-tratos.
As correntes usadas para prender a criança foram apreendidas, assim como os equipamentos de monitoramento instalados na residência.
Outras duas crianças que estavam na casa foram encaminhadas ao Conselho Tutelar.
A mãe de Kratos, que vive no interior de São Paulo, ainda será ouvida pela Polícia Civil como testemunha. Até o momento, ela não é investigada.

