RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – A Polícia Civil do Rio de Janeiro cumpriu nesta quarta-feira (4) sete mandados de busca e apreensão contra funcionários da Light, concessionária de energia elétrica do Rio, suspeitos de furtar cabos de cobre da própria empresa.
A polícia investiga 25 funcionários da concessionária. Os nomes não foram divulgados e a reportagem não conseguiu identificá-los, nem localizar as respectivas defesas. Não houve prisão na operação desta quarta.
Em nota, a Light afirmou que foi a responsável por identificar as irregularidades e comunicar a Polícia Civil. A empresa afirmou que dois profissionais foram desligados e outros seguem sob investigação. Disse ainda que “atua permanentemente no combate ao furto de cabos, inclusive dentro de suas próprias operações”.
A investigação começou quando a Light identificou o furto de 500 metros de cabos de cobre em uma instalação elétrica em Botafogo, zona sul da cidade. O crime teria ocorrido na madrugada do dia 11 de abril e causou falta de luz no bairro.
A concessionária acionou a polícia, que por meio de câmeras de segurança identificou que o grupo responsável pelo furto usava um veículo caracterizado da Light. Eles agiam uniformizados, segundo vídeo, e usavam equipamentos da empresa, como escadas.
Depois, via rastreamento da placa do carro, os investigadores observaram que os autores do suposto furto seguiram neste carro até um ferro-velho em uma favela do Caju, na zona portuária.
Por meio de novos rastreamentos, a polícia identificou outros casos de furtos. Ao todo, 16 carros vinculados à Light estiveram no mesmo ferro-velho, em 37 ocasiões diferentes, em um período de 37 dias. Segundo a polícia, em nenhuma das visitas havia ordem de serviço ou justificativa operacional.
A série de furtos investigados tem o alcance de dois quilômetros de cabos de cobre, em extensão. A operação Blackout, como foi batizada, pode ter novas fases, que envolva prisões de suspeitos de envolvimento no esquema.
A polícia conseguiu identificar os funcionários que visitaram mais vezes o ferro-velho. O estabelecimento, localizado no Parque Boa Esperança, dominado pelo TCP (Terceiro Comando Puro), foi alvo de busca e apreensão. Documentos e equipamentos foram apreendidos. Os investigadores da DRF (Delegacia de Roubos e Furtos) tiveram o apoio da divisão da elite da Polícia Civil, a Core (Coordenadoria de Recursos Especiais).
Houve busca e apreensão em outros endereços na capital, nos bairros de Bangu, Guadalupe e Oswaldo Cruz, e em Nova Iguaçu, Magé e São Gonçalo, cidades da região metropolitana.
O quilo do cobre custa a partir de R$ 50 em ferros-velhos irregulares da cidade do Rio, de acordo com mapeamento feito pela reportagem. O cobre vermelho, diferente do misto, pode chegar a R$ 70 o quilo.
O metal é usado em estruturas elétricas de rua, como semáforos.
O reparo de sinal de trânsito apagado é um dos serviços mais pedidos à Prefeitura do Rio pela população, segundo o painel do 1746, telefone de serviço público. Foram 17.831 pedidos de reparo de semáforos de janeiro a outubro deste ano, a maior parte deles na zona norte, especialmente no bairro da Tijuca (4.381 pedidos).
Dados da prefeitura indicam que o município já gastou R$ 26,6 milhões desde 2021 para reparar sinalização, sendo R$ 2,8 milhões só no primeiro trimestre deste ano.
Em agosto, o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) anunciou a troca de cabos de cobre por materiais sem valor comercial para tentar reduzir o índice de furto. A troca tem sido gradual e começou pela Tijuca e Méier, na zona norte.
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