A osteoporose é uma doença caracterizada pela redução da densidade e da resistência dos ossos, que se tornam mais frágeis e suscetíveis a fraturas. Por evoluir sem sintomas evidentes, a condição pode ser descoberta apenas após uma queda ou um trauma aparentemente simples. No Brasil, estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas vivam com osteoporose, segundo informação divulgada pela Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. A dimensão do problema também é evidenciada por um estudo publicado em 2026 na revista científica Archives of Osteoporosis.
A pesquisa Sex-specific trends in hip fracture incidence and disparities in DXA utilization in Brazil: a nationwide ecological analysis(Tendências específicas por sexo na incidência de fraturas de quadril e desigualdades na utilização da densitometria óssea (DXA) no Brasil: uma análise ecológica de abrangência nacional. analisou dados do sistema público de saúde entre 2008 e 2022 e identificou um aumento de 25,8% na taxa de incidência de fraturas de quadril entre brasileiros com 50 anos ou mais. Em 2022, foram registrados 55.643 casos nessa faixa etária. O estudo também detectou desigualdades no acesso à densitometria óssea, exame utilizado para avaliar a densidade mineral dos ossos. Os resultados reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico, mas não significam necessariamente que a prevalência da osteoporose tenha aumentado na mesma proporção, já que a pesquisa avaliou fraturas de quadril registradas no sistema público, e não o total de pessoas com a doença.
Por que a osteoporose é considerada uma doença silenciosa?
Nas fases iniciais, a osteoporose geralmente não provoca dor ou sinais perceptíveis. As regiões mais afetadas incluem coluna vertebral, quadril e punho. Fraturas vertebrais podem causar dores nas costas, alterações posturais e redução da estatura. Já as fraturas de quadril podem comprometer a mobilidade, a independência e a qualidade de vida, especialmente entre idosos. “A osteoporose precisa ser encarada como uma questão importante de saúde pública, porque suas consequências vão muito além da fratura em si. Uma fratura de quadril ou vertebral pode provocar dor crônica, perda de mobilidade e dependência para atividades cotidianas”, alerta o Dr. Gabriel Miura, médico e professor de Ortopedia da Afya Educação Médica Belo Horizonte.
O especialista destaca a importância de identificar os fatores de risco antes que ocorram complicações. “Não espere uma fratura para cuidar dos seus ossos. A prevenção começa antes dos sintomas, e o diagnóstico precoce, associado ao tratamento adequado, é a melhor estratégia para envelhecer com mais saúde, mobilidade e independência”, afirma.
Quem tem maior risco e como é feito o diagnóstico?
A idade é um dos principais fatores de risco para a osteoporose. Nas mulheres, a redução dos níveis de estrogênio após a menopausa favorece a perda de massa óssea. Os homens também podem desenvolver a doença, especialmente com o avanço da idade. Baixo peso corporal, histórico familiar de fratura de quadril, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool, deficiência nutricional e determinadas doenças endócrinas, reumatológicas e gastrointestinais também podem aumentar o risco. O uso prolongado de corticoides merece atenção, assim como o histórico de fraturas por fragilidade, que eleva a probabilidade de novos episódios.
O diagnóstico considera a avaliação clínica e, quando indicada, a densitometria óssea, que mede a densidade mineral dos ossos, geralmente na coluna lombar e no quadril. Em mulheres após a menopausa e homens com 50 anos ou mais, um T-score igual ou inferior a -2,5 é um dos critérios utilizados para identificar a doença. A interpretação, no entanto, deve considerar o histórico clínico e outros fatores individuais.
A investigação também pode ser necessária após uma fratura por fragilidade, mesmo quando o resultado da densitometria não atinge esse limite. A indicação do exame depende da idade, dos fatores de risco e da avaliação profissional.
Alimentação equilibrada contribui para a saúde óssea
A alimentação fornece nutrientes importantes para a formação e a manutenção dos ossos. O cálcio participa da estrutura óssea, enquanto as proteínas contribuem para a manutenção dos ossos e da musculatura. A vitamina D auxilia na absorção do cálcio, e nutrientes como fósforo e magnésio também desempenham funções importantes. “Uma alimentação adequada ajuda a fornecer nutrientes necessários para a manutenção dos ossos. É importante manter uma dieta equilibrada, com cálcio, proteínas e outros nutrientes”, explica a Dra. Marcela Reges, médica e professora de Nutrologia da Afya Educação Médica Goiânia.
Leite e derivados, alimentos fortificados e determinados vegetais podem contribuir para o consumo de cálcio. A necessidade de suplementação deve ser avaliada individualmente, com orientação profissional. “Cálcio ou vitamina D, sozinhos, não substituem o tratamento da osteoporose. A suplementação pode ser indicada em algumas situações, mas o plano de cuidados pode incluir medicamentos, alimentação adequada, atividade física e medidas para reduzir o risco de quedas”, ressalta a especialista.
Exercícios físicos ajudam a preservar a mobilidade
A prática regular de exercícios físicos contribui para a saúde óssea, a força muscular e o equilíbrio. Exercícios resistidos, atividades com sustentação do peso corporal e, quando apropriado, exercícios com impacto podem ajudar a preservar a densidade mineral óssea e reduzir o risco de quedas. Segundo o Dr. Raul Oliveira, professor de Fisioterapia da Afya Centro Universitário Itaperuna, a escolha das atividades deve considerar as condições clínicas e funcionais de cada pessoa. “A prescrição deve considerar a densidade mineral óssea, o histórico e a localização das fraturas, o risco de quedas, a força muscular, a mobilidade, as comorbidades e o nível de condicionamento físico”, explica.
Pessoas com fraturas vertebrais ou risco elevado de novas fraturas podem precisar de adaptações, especialmente em movimentos de flexão acentuada da coluna com carga e rotações bruscas. Isso não significa evitar toda atividade física, mas buscar orientação para realizar os exercícios com segurança. A prevenção de quedas também envolve cuidados com o ambiente doméstico, como manter boa iluminação, retirar tapetes soltos e evitar obstáculos nos corredores. A fisioterapia pode auxiliar no fortalecimento muscular, no treino de equilíbrio e na melhora da mobilidade.
Como funciona o tratamento?
A abordagem terapêutica busca reduzir o risco de fraturas, preservar a mobilidade e promover qualidade de vida. A estratégia varia conforme a gravidade da doença, o risco individual de fratura e o histórico clínico, podendo incluir medicamentos, alimentação equilibrada, adequação da ingestão de cálcio e vitamina D, exercícios individualizados e medidas para prevenir quedas. O acompanhamento regular é importante para avaliar a resposta às medidas adotadas e ajustar a conduta quando necessário. Embora fatores como idade e genética não possam ser modificados, o diagnóstico oportuno e os cuidados adequados ajudam a reduzir complicações e preservar a independência.
A orientação dos especialistas é não esperar uma fratura para cuidar dos ossos. A prevenção deve fazer parte dos cuidados com a saúde em todas as fases da vida.
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