A conversa informal entre os três ocorreu nos bastidores da Cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França, e acabou sendo divulgada durante a transmissão da organização do evento.
Na conversa com Georgieva e Merz, Lula começou explicando que governos de direita, como os republicanos nos Estados Unidos e os conservadores na França, permaneceram mais tempo no poder do que os chefiados pela esquerda.
“Nos Estados Unidos, os republicanos ficaram mais no governo do que os democratas. Na França, os socialistas também ficaram bem menos tempo governando”, disse Lula aos dois, com o auxílio do seu tradutor.
“O que isso prova? Que o mundo não é de esquerda”, declarou o presidente brasileiro, arrancando gargalhadas do chanceler alemão.
“O mundo é do caminho do meio. Essa é a verdade”, completou.
Na sequência, a presidente do FMI lembrou o período em que Lula foi presidente do Brasil pela primeira vez, ainda em 2003: “Todos esperavam que você fosse um esquerdista. Mas você não foi”.
Lula interrompeu Georgieva e repetiu duas vezes que “nunca foi esquerdista”, ao que a chefe do FMI afirmou que “essa era a imagem da época”.
“Eu era um dirigente sindical com uma belíssima relação com o sindicalismo alemão. Tinha uma relação boa com o sindicalismo italiano. Tinha uma relação boa com a UGT da Espanha”, respondeu o chefe de Estado brasileiro.
Lula fundou, em 1980, o maior partido de esquerda do país, o Partido dos Trabalhadores (PT), e disputou as eleições para a Presidência do Brasil em 1989, 1994, 1998 e foi finalmente eleito em 2002 e 2006.
Desde que assumiu o terceiro mandato, em 2023, Lula tem sido crítico do próprio PT e da esquerda brasileira, por entender que a direita e grupos conservadores se aproximaram de forma mais eficaz da sociedade brasileira na última década.
O petista, como são chamados os filiados ao PT, entrou na vida pública como líder de um sindicato de metalúrgicos em São Paulo e liderou uma das maiores greves de trabalhadores do país na década de 1970, sendo preso pela ditadura militar.
O seu passado como líder sindical é utilizado pelo presidente brasileiro para dizer que, na sua época, o PT conversava melhor e entendia melhor os clamores dos trabalhadores.
No entanto, as pesquisas de popularidade do presidente brasileiro realizadas por institutos de pesquisa ou pelo próprio governo brasileiro revelam a dificuldade de Lula em converter os feitos dos governos do PT em popularidade.
Embora tenha dito na França que nunca foi esquerdista, esta não é a mesma percepção que o setor do agronegócio e o mercado financeiro têm de Lula, conforme mostram pesquisas no Brasil.
A Lusa pediu um comentário à Presidência da República sobre a declaração de Lula, mas não obteve resposta até o momento.
No Brasil, a declaração de Lula no G7 tem sido celebrada nas redes sociais por militantes opositores e políticos adversários.
O deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança usou as redes sociais para dizer que agora a esquerda “quer fingir que nunca foi esquerda”.
“Quando a marca apodrece, eles trocam a embalagem, chamam de ‘meio’, ‘centro’, ‘democracia’ ou qualquer outro nome que esconda o velho projeto de sempre”, destacou.
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