SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Samara Regina Dutra, 19, empregada doméstica grávida que foi agredida e torturada pela empresária para quem trabalhava no Maranhão, afirmou que perdeu 50% da audição em razão da violência que sofreu.
Samara contou que estava sentindo muita dor e desconforto nos ouvidos e procurou um médico.
“Como consequência das coisas que aconteceram [agressões], eu tava ouvindo muito baixo, mas não achei que era algo tão sério. Mas comecei a sentir muita dor para dormir ou com barulho muito alto. Não é conclusivo ainda, mas, com base no exame que eu fiz, aparentemente eu perdi 50% da minha audição dos dois lados”, afirmou em publicação em uma rede social.
Ela contou que ficou desesperada com a notícia.
“Fiquei um pouco assustada, me desesperei na hora, mas agora tô tentando lidar sem me desesperar, até porque tudo que eu sinto o Artur [bebê] sente. Então, tenho que manter a calma, mas eu vou me consultar de novo semana que vem e, até lá, vou rezar pra que esteja tudo bem e eu não precise usar aparelho”, falou.
O advogado Manaces Marthan, que representa Samara, confirmou o diagnóstico e disse que está à espera do laudo.
ENTENDA O CASO
A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi presa no último dia 7 sob suspeita de agredir e torturar a empregada doméstica, que trabalhava em sua casa, em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luis, havia apenas 15 dias. Carolina estava em Teresina e tentava fugir, de acordo com a polícia.
As agressões teriam sido cometidas no dia 17, de acordo com a polícia. Na ocasião, Carolina acusou a empregada de ter roubado um anel. Ela enviou áudios a grupos de mensagens detalhando as violências que cometeu, revelados pela TV Mirante, afiliada da TV Globo.
Segundo o próprio relato, a empresária contou com a ajuda de um homem armado para agredir e torturar a jovem.
A empregada afirmou à polícia que as agressões começaram com puxões de cabelo, tapas, murros, e que foi derrubada no chão.
Caída, ela diz ter protegido a barriga contra os chutes, mas outras partes do corpo foram atingidas por chute, deixando-a com diversos hematomas.
“Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo”, afirmou Carolina nos áudios.
A mulher contou que o homem ainda colocou a arma na cabeça e na boca da empregada.
Mesmo com o anel tendo sido encontrado dentro de um cesto de roupa suja, as agressões continuaram, segundo relato da empresária.
A jovem registrou boletim de ocorrência e passou por exames no IML (Instituto Médico Legal), que comprovaram as agressões.
Documento do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Maranhão ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso concluiu que os áudios divulgados com confissões de agressões e tortura são de Carolina.
Walter Wanderley, delegado responsável pela investigação, disse à TV Mirante que os áudios já estão anexados ao inquérito, na 21ª delegacia do bairro Araçagy.
“Está comprovado que ela foi agredida. Agora, não existe autoria mais patente do que o próprio agressor confessar. E o áudio, que a polícia já está de posse, já está apreendido. É uma prova incontestável também da autoria da agressão”, afirmou o delegado.
Inicialmente, a defesa de Carolina admitiu as agressões, mas não a tortura. Seu novo advogado, Otoniel d’Oliveira Chagas Bisneto Prado, porém, orientou a empresária a ficar em silêncio e declarou que fará levantamento sobre eventuais problemas psicológicos da cliente, como bipolaridade e borderline.
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