Wednesday, 28 October 2026
Tecnologia

Com ar de cinema de kung fu, ‘Phantom Blade Zero’ é ótimo RPG chinês


(FOLHAPRESS) – A indústria de games da China passa por uma transformação. A exemplo de outros produtos de alta complexidade exportados pelo país, como carros elétricos e microchips, os jogos chineses aos poucos deixam de carregar o estigma de imitações pouco originais de versões superiores fabricadas nos Estados Unidos, no Japão ou na Europa. Em muitos casos, competem no mesmo patamar com grandes lançamentos de estúdios consolidados.

O primeiro jogo do chamado escalão “AAA”, isto é, com alto orçamento e qualidade técnica, da China a alcançar fama mundial e colecionar críticas favoráveis foi “Black Myth: Wukong”, lançado há dois anos e que já tem sequência confirmada.

Agora, o estúdio S-Game, que nunca lançou um jogo desse porte antes, espera que “Phantom Blade Zero” se junte a Wukong como outro exemplo de um jogo chinês não apenas competente tecnicamente, mas cativante o bastante para disputar com títulos americanos e japoneses.

A S-Game e seu diretor, Qiwei “Soulframe” Liang, foram bem-sucedidos na empreitada. “Phantom Blade Zero” é um RPG nos moldes clássicos do gênero “soulslike” que faz bem tudo o que define esse estilo: é bastante desafiador, tem chefes que exigem várias tentativas antes de serem superados, possui progressão relativamente linear e checkpoints fixos.

Ao mesmo tempo, traz inovações que combinam muito bem com a ambientação do jogo, fortemente inspirada no cinema de kung fu da China e de Hong Kong.

Nele, o jogador controla Soul, um guerreiro que vive no Wulin, termo que significa, literalmente, “floresta marcial” e representa o fictício submundo escondido das artes marciais, dos espadachins e dos heróis clássicos da literatura chinesa.

O Wulin está sob ataque. Uma doença misteriosa transforma pessoas em fantoches, e Soul, acusado de um crime terrível que aparentemente não cometeu e gravemente ferido no início do jogo, tem apenas 66 dias de vida para se vingar.

A história é, de fato, um pouco genérica e não muito cativante, e a dublagem, considerando a versão em chinês, não é especialmente inspirada. Com cerca de 20 horas de jogo, é difícil estar particularmente interessado em descobrir se Soul encontrará a vingança que busca e qual será o destino dos personagens secundários da trama.

Felizmente, “Phantom Blade Zero” não é um filme. A história serve apenas como pano de fundo para o combate, que realmente faz o jogo brilhar acima de outros “soulslikes” bem menos interessantes, publicados aos montes todos os anos.

As animações, tanto de Soul quanto dos inimigos, são variadas o bastante para criar a sensação de estar dentro de um clássico de kung fu.

Em especial, Soul tem ataques e reações específicas a determinados chefes. Contra um deles, um espadachim bêbado no melhor estilo de Jackie Chan em “O Reino Proibido”, o protagonista pode segurar a espada do inimigo com os pés, dançar ao redor dele e, depois de derrotá-lo, adquirir sua arma e sua garrafa de álcool.

A última oferece uma mecânica divertida: quanto mais Soul bebe, mais forte e menos ágil fica.

No geral, o jogo se inspira no clássico “Sekiro: Shadows Die Twice”, da japonesa FromSoftware, e enfatiza um conjunto de esquivas, bloqueios e aparos que o jogador precisa utilizar até desgastar a barra de guarda do oponente e, enfim, causar-lhe dano.

A diferença é que, enquanto em “Sekiro” basta quebrar a guarda uma vez, “Phantom Blade Zero” exige que o jogador faça isso várias vezes para derrotar um chefe.

Por outro lado, inimigos comuns não voltam à vida depois de derrotados, ao contrário do que ocorre em vários jogos semelhantes, e chefes com mais de uma fase não retornam à primeira se Soul for derrotado.

Outra inovação é o sistema de armas. O jogo incentiva o jogador a combiná-las o máximo possível. Ao apertar um botão, Soul troca de arma, recupera a guarda e ataca ao mesmo tempo, uma mecânica que se torna essencial nas lutas mais difíceis.

As armas são bastante variadas entre si, e a facilidade de redefinir seus níveis significa que é preciso repensar constantemente a estratégia ao longo do jogo, tornando a experiência mais interessante.

Outros aspectos que merecem elogios são a trilha sonora, que mistura instrumentos tradicionais chineses com música eletrônica para criar uma ambientação surpreendentemente imersiva, e os gráficos belíssimos da China fictícia em que Soul vive.

Com preço de aproximadamente R$ 230, abaixo do valor de outros jogos “AAA”, “Phantom Blade Zero” pode ser uma boa opção para quem procura um jogo de ação divertido, original e que se destaca da maioria dos “soulslikes” disponíveis no mercado.

Phantom Blade Zero: lançamento, preço e plataformas
Lançamento: 28 de outubro de 2026.

Preço: R$ 229,90 (Steam, Epic Games Store e PlayStation Store).

Produção: China, 2026.

Estúdio: S-Game.

Plataformas: PlayStation 5 e PC.

Avaliação: Muito bom.

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Notícias ao Minuto | 05:37 – 28/10/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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