SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Polícia Civil de Goiás concluiu nesta segunda-feira (15) o inquérito e indiciou uma babá de 41 anos por homicídio qualificado majorado pela morte de uma menina de 2 anos em Aparecida de Goiânia (GO).
Maria Lyz Barros da Silva, de 2 anos, morreu em 22 de maio de após dar entrada desacordada no CAIS (Centro de Atendimento Integrado à Saúde). A investigada, que trabalhava como babá e está presa preventivamente, levou a criança ao centro de saúde alegando que a menina teria sofrido um acidente doméstico enquanto dormia.
Segundo a suspeita, que se apresentou como tia da criança, um espelho teria caído sobre a menina durante a madrugada. De acordo com o inquérito, porém, a versão não se sustenta. Uma perícia no local encontrou “o espelho íntegro e encostado na parede, sem sinais de queda, e uma reprodução simulada concluiu que o relato é incompatível com a data das lesões”.
Profissionais de saúde acionaram a Guarda Civil Metropolitana após suspeitarem de maus-tratos ao atender a criança na unidade. A conselheira tutelar Élita Arantes relatou à TV Anhanguera que a equipe médica considerou o histórico das marcas no corpo ao avaliar o caso: “Um relato da médica foi que o fato de um hematoma estar roxo caracteriza que a lesão havia acontecido há dias”.
O laudo do exame cadavérico concluiu que a criança morreu em decorrência de uma grande perda de sangue provocada por um trauma no rim causado por um objeto. Segundo a Polícia Civil, o documento também identificou pelo menos três grupos de lesões de idades diferentes, com cerca de cinco dias, três dias e menos de 12 horas, além de marcas compatíveis com queimaduras. Ao chegar no hospital, a criança apresentava marcas distintas no corpo e no rosto.
Para os investigadores, a lesão que levou à morte foi produzida cerca de três dias antes do óbito, em 19 de maio, quando a menina estaria apenas sob os cuidados da babá. A polícia afirma que três laudos periciais independentes refutaram a hipótese de acidente. O pai da criança também está sob investigação.
O QUE A INVESTIGAÇÃO APONTA
De acordo com a Polícia Civil, vestígios de sangue foram encontrados em diferentes pontos da casa da investigada, com indícios de movimentação e possível limpeza prévia. O Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Aparecida de Goiânia ouviu 18 pessoas durante 24 dias de apuração, incluindo testemunhas, profissionais do CAIS, familiares e a própria babá.
A polícia também diz que laudos complementares, como extração de dados do celular da investigada e exame de DNA, ainda serão encaminhados ao juízo quando ficarem prontos. O caso agora aguarda análise do Ministério Público, que pode apresentar denúncia para abertura de ação penal.
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