Preparar frango em casa exige alguns cuidados que muitas pessoas acabam ignorando. Um erro aparentemente inofensivo, como usar a mesma colher ou faca para manusear a carne crua e outros ingredientes, pode provocar contaminação cruzada e aumentar o risco de doenças transmitidas por alimentos.
O alerta foi feito pela especialista em segurança alimentar Ana Rita Mateus, que utilizou suas redes sociais para explicar os perigos de um hábito bastante comum na cozinha.
Na publicação, a especialista mostrou o exemplo de uma pessoa preparando peito de frango recheado com cream cheese. O problema não estava na receita, mas na maneira como os ingredientes eram manuseados.
Ao espalhar o recheio sobre o frango cru e, em seguida, colocar o mesmo utensílio novamente dentro da embalagem de cream cheese, a pessoa pode transferir bactérias da carne para o alimento que será guardado e consumido posteriormente.
Qual é o erro mais comum ao preparar frango?
Segundo Ana Rita Mateus, a contaminação pode acontecer mesmo quando os ingredientes não entram em contato direto com a carne.
“Quando usamos um utensílio para espalhar no peito de frango e utilizamos o mesmo utensílio para voltar à embalagem original, o que estamos fazendo é contaminar indiretamente esse ingrediente”, explicou.
O frango cru pode conter microrganismos capazes de provocar infecções gastrointestinais, especialmente quando não é manipulado ou cozido corretamente.
“O frango cru é um dos alimentos de risco do ponto de vista microbiológico, uma vez que pode transportar bactérias que nos causam doenças, como é o caso de E. coli, salmonela e campylobacter”, alertou a especialista.
Entre os possíveis sintomas das infecções alimentares estão diarreia, náuseas, vômitos, dores abdominais e febre.
Em determinadas situações, especialmente entre crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com o sistema imunológico comprometido, essas infecções podem provocar complicações mais graves.
Por que usar a mesma colher pode ser perigoso?
A contaminação cruzada ocorre quando microrganismos presentes em um alimento são transferidos para outro por meio das mãos, dos utensílios ou das superfícies utilizadas durante o preparo.
No exemplo apresentado pela especialista, a colher ou a faca que entra em contato com o frango cru pode transportar bactérias para a embalagem de cream cheese ou de pesto.
O problema é que esses ingredientes frequentemente são consumidos sem passar por cozimento.
“Este é um exemplo de um hábito que muitas pessoas acham inofensivo porque muitos não têm consciência dos perigos de origem alimentar. A regra é sempre a mesma: o utensílio que tocou no frango cru não toca em mais nenhum lugar”, afirmou Ana Rita Mateus.
O risco não se limita ao preparo de frango recheado. A mesma situação pode acontecer ao manipular molhos, temperos, queijos e outros ingredientes durante o preparo de carnes cruas.
O que fazer se a colher que tocou no frango voltar à embalagem?
A especialista explica que, quando um utensílio utilizado no frango cru volta a entrar em uma embalagem de alimento pronto para consumo, o conteúdo restante pode ficar contaminado.
“Uma faca ou colher que tocou no frango cru volta a entrar na embalagem do queijo ou do pesto. Isso é contaminação cruzada, e o frango cru pode transportar bactérias”, explicou.
Nesses casos, especialmente quando o alimento será consumido sem cozimento, a recomendação é descartar o produto que pode ter sido contaminado.
“O que sobrou na embalagem pode ficar contaminado. Como são alimentos que muitas vezes são consumidos sem cozinhar, se isso aconteceu, o mais seguro é jogar fora”, alertou.
A medida evita que possíveis bactérias sejam ingeridas em outra refeição.
Como preparar frango com segurança e evitar desperdício?
Para evitar a contaminação cruzada, Ana Rita Mateus recomenda separar antecipadamente a quantidade de cada ingrediente que será utilizada na receita.
Em vez de levar a colher diretamente da carne crua até a embalagem original, o ideal é retirar uma porção de cream cheese, pesto ou outro recheio para um recipiente separado.
“Para evitar o desperdício, retire primeiro para um prato a porção que vai usar e feche logo a embalagem. Use um utensílio para retirar e outro para espalhar. Assim, o restante fica protegido”, aconselhou.
Também é importante lavar bem as mãos com água e sabão depois de manusear frango cru, além de higienizar facas, tábuas e superfícies que tiveram contato com a carne.
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomenda utilizar tábuas separadas para carnes cruas e alimentos que serão consumidos sem cozimento.
O frango também deve ser completamente cozido. Como referência de segurança alimentar, o CDC recomenda que a temperatura interna da carne atinja pelo menos 74°C.
Especialista revela cinco alimentos que evita comprar no supermercado
Além de alertar sobre os riscos de contaminação ao preparar frango, Ana Rita Mateus também compartilhou nas redes sociais uma lista de alimentos que evita comprar no supermercado.
“Há coisas que simplesmente não compro mesmo! E outras que evito ao máximo e é mesmo muito raro trazer para casa”, afirmou.
Segundo a especialista, suas escolhas levam em consideração aspectos relacionados à conservação, à segurança alimentar e aos possíveis efeitos do consumo frequente de determinados produtos.
“Não é sobre proibição ou medo! É sobre conhecer o risco e fazer escolhas conscientes”, explicou.
1. Frutas vendidas cortadas ao meio
A especialista evita comprar frutas já cortadas quando não conhece suas condições de preparo e conservação.
“Não compro porque não sabemos como estava a fruta inteira antes de ser cortada. Se já tinha zonas com mofo, pode haver contaminação invisível e risco de micotoxinas”, afirmou.
2. Presunto e outras carnes processadas
Outro grupo que a especialista procura consumir com pouca frequência é o das carnes processadas, como presunto, embutidos e outros produtos semelhantes.
“Evito consumir com frequência porque estão associadas a maior risco de câncer colorretal quando ingeridas regularmente, segundo evidências científicas. Muitos produtos também contêm açúcares adicionados”, explicou.
3. Verduras embaladas com folhas murchas ou úmidas
Ana Rita também recomenda observar atentamente o aspecto das verduras antes da compra.
“Evito porque a aparência é um indicador importante de frescor e sinais de deterioração podem indicar início de crescimento microbiano”, afirmou.
4. Saladas prontas para consumo
As saladas prontas são outro grupo que merece atenção, principalmente em relação à refrigeração e às condições de armazenamento.
“Já estiveram associadas a surtos de contaminação microbiológica. São alimentos crus prontos para consumo e o risco aumenta se existirem falhas de refrigeração”, explicou.
Isso não significa que todas as saladas embaladas sejam inseguras, mas que é importante verificar a conservação, a validade e as orientações do fabricante.
5. Latas amassadas ou estufadas
Por último, a especialista alerta para embalagens metálicas que apresentam danos, especialmente quando há deformações acentuadas ou sinais de estufamento.
“Não compro mesmo! Porque a integridade da embalagem está comprometida e representa risco de contaminação”, afirmou.
Latas estufadas, com vazamentos ou com danos importantes nas áreas de vedação não devem ser consumidas.


