SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar abriu em leve queda nesta quinta-feira (11) em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes.
Os investidores acompanham os desdobramentos da guerra no Irã, que voltou a ter ataques entre os dois países e versões conflitantes sobre o fechamento do estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.
Às 9h05, a moeda norte-americana caía 0,17%, cotada a R$ 5,1637. Na quarta, o dólar fechou em queda de 0,18%, cotado a R$ 5,168, e a Bolsa recuou 0,7%, a 168.619 pontos.
Investidores repercutiram dados da inflação dos Estados Unidos e o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. No cenário doméstico, o mercado avaliou o resultado da pesquisa eleitoral Genial/Quaest, que mostrou o presidente Lula (PT) abrindo vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno.
O CPI (Índice de Preços ao Consumidor, na sigla em inglês) apontou para uma aceleração da inflação dos Estados Unidos, que em maio chegou ao maior nível em três anos. Analistas afirmam que o indicador começou a refletir os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços aos consumidores norte-americanos, sobretudo na gasolina.
O avanço foi de 4,2% nos 12 meses até maio, maior alta desde abril de 2023. Em abril, o índice havia avançado 3,8% na base anual. Na comparação mensal, os ganhos foram de 0,5%, uma desaceleração ante os 0,6% do mês anterior.
Ainda que os resultados tenham mostrado uma ligeira desaceleração na base mensal, eles reforçam a percepção de que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) deverá manter as taxas de juros em patamar restritivo por mais tempo.
“O dado de maio oferece ao Fed um sinal mais benigno na inflação subjacente, mas o cenário geral segue desafiador: a autoridade monetária enfrenta choques inflacionários simultâneos provenientes das tarifas, dos custos de energia e do boom de investimentos em inteligência artificial”, afirma Vitor Kayo, economista da Nomad.
“Com o FOMC [comitê de política monetária do Fed] já dividido na última reunião, o Fed de Kevin Warsh, que assume o comando na reunião da próxima semana, deve manter o tom de cautela e ter pouco espaço para sinalizar cortes no horizonte próximo.”
A tese de que o Fed deverá permanecer cauteloso já afeta as projeções de juros no mercado futuro. Segundo a ferramenta CME Fed Watch, mais de 60% dos operadores apostam que o banco central deverá retomar o ciclo de altas na taxa na reunião de dezembro.
A perspectiva de juros elevados é uma má notícia para os ativos de risco em todo o mundo. Como a economia norte-americana é a maior do mundo, a renda fixa de lá -capitaneada pelas apelidadas “treasuries”, títulos do Tesouro dos EUA- é quase como um investimento livre de risco.
Quando os Fed Funds estão elevados, as treasuries sobem -e operadores retiram parte dos recursos aplicados em ativos mais arriscados, como os de mercados emergentes, para apostar no baixo risco e alto retorno.
Essa perspectiva afetou os índices de Wall Street, antes em recordes sucessivos puxados pelo boom de inteligência artificial. Nasdaq, S&P500 e o Dow Jones caíram cerca de 1,5% cada.
O cenário geopolítico também inspirou volatilidade. Apesar de Irã e Israel terem indicado disposição na segunda-feira para conter a escalada de ataques, novas tensões envolvendo Teerã e Washington têm despertado temores no mercado.
Donald Trump afirmou que o Irã abateu um helicóptero americano na noite de segunda e que “os Estados Unidos devem, necessariamente, responder a este ataque”. A nova rodada de tensões reacendeu a busca por proteção nos mercados globais e deu impulso aos preços do petróleo.
Referência internacional para as cotações da commodity, o barril do Brent estava a US$ 93 no fim da tarde, alta de 2,5% em relação ao fechamento da véspera. O WTI (West Texas Intermediate) usado nos EUA, seguia a mesma tendência e estava a US$ 90, avanço de 2,6%, para o contrato de julho.
No cenário doméstico, investidores repercutem a pesquisa Genial/Quaest desta manhã. O presidente Lula (PT) abriu vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em simulação de segundo turno e venceria o rival por 44% a 38% dos votos. O levantamento é o primeiro do instituto a ser publicado após o caso Dark Horse
Em maio, na rodada anterior, o atual presidente aparecia com 42%, enquanto o congressista do PL tinha 41%, situação que configurava um empate na margem de erro.
A preocupação é com a manutenção da atual política econômica por mais quatro anos, segundo agentes do mercado. Desde que o caso Dark Horse veio à tona, enfraquecendo a campanha de Flávio pelo Palácio do Planalto, as taxas de juros cobradas pelo Tesouro para financiar a dívida pública dispararam e atingiram patamares recordes.
Em menos de um mês, todas as taxas de juros que o Tesouro paga para a venda de títulos escalaram. Os bastante populares e corrigidos pela inflação com vencimento em 2032 (IPCA + 2032), por exemplo, saltaram de 7,63% ao ano para 8,3%. Para aqueles com vencimento um pouco mais longo (IPCA + 2040), as taxas subiram de 7,15% para 7,65%.
Isso torna mais caro rolar a dívida pública federal de R$ 8,8 trilhões e explicita o temor de investidores quanto à capacidade de pagamento do país num momento em que Lula busca a reeleição com uma série de novos gastos.
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