BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A derrota imposta pelo Senado ao presidente Lula (PT) com a rejeição da indicação de Jorge Messias como ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) despertou a fúria de governistas contra Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente da Casa.
Parte dos aliados de Lula falam em declaração de guerra entre o governo e a presidência do Senado. Uma das ideias defendidas nesse setor é uma ofensiva governista no Amapá, estado de Alcolumbre, para reduzir o poder de seu grupo político.
Outra ala pondera que um rompimento não é viável porque o petista ainda precisa aprovar projetos no Congresso antes da eleição, como o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso.
O consenso entre esses setores é que a relação entre o petista e Alcolumbre ficará péssima e sem confiança.
Opositores avaliam que, com o resultado, o governo ficará irreversivelmente enfraquecido no Senado.
Alcolumbre foi contra a indicação de Messias desde o fim do ano passado, quando o anúncio foi feito pelo governo. Ele queria que Lula tivesse escolhido o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
Logo no início da discussão, o presidente do Senado indicou nos bastidores que trabalharia contra o indicado e sugeriu a aliados a possibilidade de deixar a votação para depois da eleição presidencial.
Nas últimas semanas, governistas avaliavam que a resistência de Alcolumbre havia arrefecido. A análise era de que ele não estava ajudando, mas havia parado de se esforçar pela rejeição.
A interpretação não estava correta. Senadores relataram à Folha de S.Paulo que, em datas próximas à votação, Alcolumbre pediu a eles que se colocassem contra a nomeação de Messias como ministro do STF.
Nos dias anteriores à votação, diversos senadores avaliavam que Messias corria o risco de ser rejeitado. Só o que poderia garantir uma aprovação, por esse raciocínio, seria um gesto de Alcolumbre em favor do indicado de Lula.
Os ministros do STF são indicados pelo presidente da República, mas a nomeação só é concluída se houver aprovação pelo Senado. É necessário ao menos 41 votos favoráveis para um indicado ser aprovado.
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