SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Receber uma dose dupla da vacina contra a gripe ainda durante a internação hospitalar pode reduzir em cerca de 20% o risco de morte e novas hospitalizações em pacientes que tiveram um AVC (acidente vascular cerebral). É o que aponta estudo do Einstein Hospital Israelita publicado no International Journal of Stroke, revista da Organização Mundial do AVC.
A pesquisa faz parte do Proadi-SUS, programa do Ministério da Saúde em parceria com hospitais de referência. O estudo foi conduzido entre 2019 e 2022 em 30 centros nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste do país. Do total de participantes, 90% eram usuários do SUS.
De acordo com o estudo, a gripe provoca um processo inflamatório que estimula a formação de coágulos e eleva o risco de eventos cardiovasculares. O risco é ainda maior para quem sofreu um AVC devido ao comprometimento da resposta imunológica, acrescenta a pesquisa.
“Pacientes de muito alto risco ou com infarto têm demonstrado resultados consistentes na redução da mortalidade e de eventos cardiovasculares com a vacinação contra influenza”, afirma Henrique Fonseca, líder do Núcleo de Estudos Clínicos em Imunologia e Vacinas do Einstein e autor sênior do estudo.
Os novos resultados, ele diz, sugerem um possível benefício da vacinação com dose aumentada em pacientes com histórico de AVC.
O AVC é a segunda doença que mais mata os brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de AVC, e a principal causa de incapacidade no mundo. A condição é mais frequente em idosos e em pessoas com doenças cardiovasculares preexistentes, mas os casos têm aumentado também entre jovens adultos.
Ao todo, participaram do estudo 1.801 pacientes internados com síndrome coronariana aguda -condição em que o fluxo de sangue para o coração é reduzido, podendo causar infarto. Entre eles, 67 tinham histórico de AVC.
Os participantes foram divididos em dois grupos: aqueles que receberam duas doses da vacina ainda no hospital; e aqueles que tomaram a dose padrão cerca de 30 dias depois. Todos foram acompanhados por 12 meses.
Entre os pacientes sem histórico de AVC não houve diferença significativa entre as duas estratégias. Já entre aqueles que tinham passado por um derrame, o resultado chamou atenção: o grupo vacinado com dose dupla no hospital teve menos mortes e internações no período analisado.
O pesquisador ressalva que o número de pacientes com esse histórico incluídos na pesquisa foi limitado e que não é possível, por ora, apontar benefício ou prejuízo conforme o tipo de AVC. Estudos maiores são necessários para confirmar os resultados nessa população específica.
A pesquisa também avaliou a segurança de vacinar pacientes ainda no hospital. A estratégia se mostrou viável e sem riscos adicionais, o que abre caminho para aumentar a cobertura vacinal em pessoas de alto risco que, de outra forma, poderiam não receber o imunizante após a alta.
Para Fonseca, a mensagem que permanece clara é a de que a vacinação é uma medida essencial para a manutenção da saúde. “Especialmente em pacientes de alto risco para doenças cardiovasculares.”


